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Preço dos alimentos pode subir 18% com nova pressão sobre o agro
Publicado em 30/10/2026 10:30
Notícias

Foto: Natural Treats

Banco Mundial projeta dois anos de alta nas commodities alimentícias; energia, fertilizantes, clima e transporte ajudam a explicar a pressão

O Banco Mundial projeta alta de cerca de 10% nas commodities alimentícias em 2026 e de outros 7% em 2027. Com o efeito acumulado, o avanço chega a aproximadamente 17,7%.

Isso não significa, porém, que a comida ficará automaticamente 18% mais cara no supermercado.

A projeção acompanha commodities negociadas internacionalmente. Entre o preço recebido pelo produtor e aquele pago pelo consumidor entram câmbio, indústria, transporte, impostos e margens comerciais.

Ainda assim, o movimento acende um sinal de alerta. Desta vez, a pressão não nasce apenas dentro das lavouras.

Parte dela começa no petróleo, passa pelos fertilizantes e pelo transporte e termina no custo de produzir e distribuir alimentos.

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Petróleo mais caro chega à lavoura

O Banco Mundial projeta alta de 32% nos preços da energia em 2026, após três anos consecutivos de queda.

O petróleo Brent deve alcançar média de US$ 91 por barril, ante US$ 69 em 2025.

Para entender o impacto no agro, basta acompanhar o caminho percorrido pelo diesel.

Máquinas agrícolas consomem combustível durante o preparo do solo, o plantio e a colheita. Caminhões transportam fertilizantes, sementes e defensivos até as propriedades.

Depois da colheita, outra frota leva grãos, carnes e outros produtos para armazéns, indústrias e portos.

Portanto, quando a energia sobe, o impacto pode aparecer em diferentes etapas da mesma cadeia.

Fertilizante amplia a pressão

Trator aplica fertilizante em lavoura em meio à pressão dos custos de produção e à alta dos preços dos insumos agrícolas.
Foto: Ken Research

A produção de determinados fertilizantes depende intensamente de energia e gás natural. Assim, uma pressão energética pode chegar ao produtor também por meio dos insumos.

O Banco Mundial estima alta de 14% nos preços dos fertilizantes em 2026.

Para o Brasil, essa variável merece atenção especial porque o país depende fortemente das importações para abastecer suas lavouras.

Nesse cenário, o produtor pode gastar mais para movimentar as máquinas, transportar a produção e nutrir as lavouras.

O impacto, entretanto, não ocorre de maneira uniforme.

Culturas com maior participação dos fertilizantes no custo operacional tendem a sentir mais a alta. A distância até indústrias, centros consumidores e portos também altera o peso do combustível.

Por isso, duas propriedades que produzem a mesma cultura podem enfrentar impactos diferentes.

El Niño acrescenta outro risco

Produtor observa plantação de milho castigada pela seca em cenário de risco associado ao El Niño.
Foto: WFP – Gabriela Vivacqua

Se energia e fertilizantes pressionam principalmente os custos, o clima pode mexer diretamente com a quantidade produzida.

O Banco Mundial coloca o El Niño entre os riscos para algumas commodities agrícolas.

O fenômeno pode alterar os regimes de chuva e temperatura em importantes regiões produtoras. É justamente a combinação entre custo maior e eventual redução da oferta que torna o cenário mais delicado.

Imagine uma lavoura que precisa gastar mais com diesel e fertilizantes.

Se a produtividade permanece elevada, parte desse aumento pode ser diluída pelo volume colhido. Porém, se o clima reduz a produção, menos toneladas passam a carregar uma conta que já ficou mais pesada.

O custo por unidade produzida pode aumentar.

O problema não termina na porteira

Há ainda um terceiro componente: a circulação dos alimentos.

Problemas envolvendo embarques de grãos no Mar Negro mostram como conflitos geopolíticos podem interferir no mercado agrícola mesmo sem destruir uma única lavoura.

Navios podem enfrentar dificuldades para operar. Seguros podem ficar mais caros e rotas podem precisar de alterações.

Nesse cenário, volumes também podem deixar de chegar aos compradores no prazo esperado.

Assim, o preço internacional passa a refletir não apenas quanto o mundo produziu, mas também a capacidade de fazer essa produção chegar ao destino.

Quando os riscos aparecem juntos

Navio recebe carregamento de grãos em terminal portuário destinado às exportações agrícolas.
Foto: Pakistan Today

É nesse ponto que o cenário apresentado pelo Banco Mundial ganha relevância.

Energia mais cara pressiona o custo. Fertilizantes aumentam a despesa na lavoura. Um El Niño intenso pode reduzir a produção.

Problemas logísticos, por sua vez, podem dificultar a circulação dos alimentos.

Isoladamente, o mercado consegue absorver parte desses choques. Quando eles acontecem simultaneamente, entretanto, a margem de segurança diminui.

No cenário adverso analisado pelo Banco Mundial, essa combinação poderia colocar as commodities alimentícias 12% acima da projeção-base.

Nesse caso, os preços poderiam superar até os níveis observados em 2022.

O número de 18%, portanto, conta apenas uma parte da história.

Na prática, diferentes componentes do custo e da oferta agrícola voltaram a apontar na mesma direção.

Assim, quando petróleo, fertilizantes, clima e logística pressionam simultaneamente, o que começa longe da mesa do consumidor pode terminar justamente nela.

 

Fonte :- O impacto, entretanto, não ocorre de maneira uniforme.

Culturas com maior participação dos fertilizantes no custo operacional tendem a sentir mais a alta. A distância até indústrias, centros consumidores e portos também altera o peso do combustível.

Por isso, duas propriedades que produzem a mesma cultura podem enfrentar impactos diferentes.

El Niño acrescenta outro risco

Produtor observa plantação de milho castigada pela seca em cenário de risco associado ao El Niño.
Foto: WFP – Gabriela Vivacqua

Se energia e fertilizantes pressionam principalmente os custos, o clima pode mexer diretamente com a quantidade produzida.

O Banco Mundial coloca o El Niño entre os riscos para algumas commodities agrícolas.

O fenômeno pode alterar os regimes de chuva e temperatura em importantes regiões produtoras. É justamente a combinação entre custo maior e eventual redução da oferta que torna o cenário mais delicado.

Imagine uma lavoura que precisa gastar mais com diesel e fertilizantes.

Se a produtividade permanece elevada, parte desse aumento pode ser diluída pelo volume colhido. Porém, se o clima reduz a produção, menos toneladas passam a carregar uma conta que já ficou mais pesada.

O custo por unidade produzida pode aumentar.

O problema não termina na porteira

Há ainda um terceiro componente: a circulação dos alimentos.

Problemas envolvendo embarques de grãos no Mar Negro mostram como conflitos geopolíticos podem interferir no mercado agrícola mesmo sem destruir uma única lavoura.

Navios podem enfrentar dificuldades para operar. Seguros podem ficar mais caros e rotas podem precisar de alterações.

Nesse cenário, volumes também podem deixar de chegar aos compradores no prazo esperado.

Assim, o preço internacional passa a refletir não apenas quanto o mundo produziu, mas também a capacidade de fazer essa produção chegar ao destino.

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Foto: Pakistan Today

É nesse ponto que o cenário apresentado pelo Banco Mundial ganha relevância.

Energia mais cara pressiona o custo. Fertilizantes aumentam a despesa na lavoura. Um El Niño intenso pode reduzir a produção.

Problemas logísticos, por sua vez, podem dificultar a circulação dos alimentos.

Isoladamente, o mercado consegue absorver parte desses choques. Quando eles acontecem simultaneamente, entretanto, a margem de segurança diminui.

No cenário adverso analisado pelo Banco Mundial, essa combinação poderia colocar as commodities alimentícias 12% acima da projeção-base.

Nesse caso, os preços poderiam superar até os níveis observados em 2022.

O número de 18%, portanto, conta apenas uma parte da história.

Na prática, diferentes componentes do custo e da oferta agrícola voltaram a apontar na mesma direção.

Assim, quando petróleo, fertilizantes, clima e logística pressionam simultaneamente, o que começa longe da mesa do consumidor pode terminar justamente nela.

Fonte :- Preço dos alimentos pode subir 18% com nova pressão sobre o agro - Agro em Campo

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