Setembro traz chuva acima da média e El Niño ainda mais forte
O mês de setembro deve trazer muito mais chuva do que o comum para o Brasil, com o El Niño ganhando ainda mais força. As informações são dos meteorologistas da Metsul.
Segundo os especialistas, o padrão é atípico para o mês. Normalmente, setembro costuma ser mais seco e registrar escassa precipitação. Ao mesmo tempo, no Sul, as previsões indicam uma maior frequência de ar frio do que habitualmente se observa sob a influência de um El Niño muito forte.
O mês também marca o fim do inverno astronômico, no dia 22 de setembro. Mas, de acordo com a Metsul, o período da primavera meteorológica já tem início nesta terça-feira (1).
Historicamente, setembro também é um mês de estação seca. Sendo assim, as médias de precipitação costumam ser baixas e há muitos dias de calor intenso.
Com isso, o número de queimadas costuma ser mais alto em áreas do país, especialmente no Cerrado. Mas, a partir da segunda metade do mês, é esperado o retorno gradual das chuvas.
Já mais ao Sul, no Rio Grande do Sul, por exemplo, setembro costuma, na climatologia histórica, ter altos volumes de chuva com muitos episódios passados de cheias de rios e enchentes.
El Niño ganha força
Os índices de monitoramento do El Niño já mostram que o fenômeno atingiu uma categoria de intensidade forte, se tornando um Super El Niño.
De acordo com o Índice Oceânico Niño (ONI), critério de monitoramento da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA), a anomalia de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, era de +2,6 ºC.
Em outro ponto, no Pacífico Equatorial Leste, na região Niño 1.2, a anomalia de temperatura da superfície do mar é de +4,0 ºC pelo índice ONI. O número corresponde a um El Niño Costeiro extraordinário, conforme informou a Metsul.
Sendo assim, a tendência é que, ao longo de setembro, o Oceano Pacífico Equatorial Centro-Leste siga aquecendo à medida que uma grande quantidade de água excepcionalmente quente se encontra abaixo da superfície.
As outras regiões do Brasil também devem ser atingidas pelas chuvas, como o Centro-Oeste e o Nordeste, com registro de acumulados significativos.
Os meteorologistas da Metsul informaram que a tendência é de que o mês de setembro registre chuva mais frequente com maiores volumes do que o habitual em vários estados, com um padrão atípico no período.
Segundo os especialistas, a chuva deve ficar acima dos padrões históricos nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e parte de Minas Gerais, mesmo setembro não sendo uma época de temporais no Centro-Oeste e no Sudeste.
A previsão, nessas áreas, indica uma maior frequência de chuva e tempestades, com risco de chuva intensa localizada, raios, vendaval e granizo.
Já no Sul, especificamente no Norte gaúcho, em Santa Catarina e no Paraná, a tendência é de chuva acima a muito acima da média, com o desvio maior da precipitação nos estados catarinense e paranaense.
Nesses pontos, ainda há o risco de episódios de chuva excessiva com alagamentos, inundações, cheias de rios e deslizamentos de terra.
Além disso, a vazão das Cataratas do Iguaçu pode ser significativamente alta em setembro, conforme informou a Metsul. O mês deve ser o período mais crítico para a região.
Temperaturas
As temperaturas devem ficar na média ou até abaixo da média em boa parte do Centro-Sul do país. Com a previsão indicando muito mais chuva do que o normal, o número de dias muito quentes tende a ser menor.
Mesmo assim, há a previsão de dias de muito calor. Também a probabilidade de calor acima da média no Mato Grosso, Goiás e parte de Minas Gerais. As máximas em alguns pontos podem chegar a 40°C.
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