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História foi cruel com Lionel Messi na curva final
Publicado em 20/07/2026 10:01
Notícias
REPRODUÇÃO/AFA
Lionel Messi chora após vice da Argentina na Copa do Mundo

Lamine Yamal, o bebê na banheira da foto com Lionel Messi, cresceu, apareceu, e acaba de tirar o doce do maior jogador de futebol deste século com seu primeiro título de Copa do Mundo. Iguala-se, assim, ao próprio Messi, a Maradona, Romário e Beckenbauer. E Anderson Polga, Kleberson, Viola.

Há muitas formas de contar a história de uma Copa. Venceu a Espanha com software atualizado da seleção de 2010, que inaugurou a obsessão pelo controle e a posse de bola e o jogo coletivo em detrimento das individualidades. Elas aparecem aqui e ali nos lances decisivos, como mostraram Andres Iniesta, há 16 anos, e Ferran Torres, há poucas horas.

Com o gol do título, a Espanha leva para o pódio uma geração que aprendeu a lutar desde cedo. Yamal faz referência ao código postal da quebrada de onde veio em cada gol. O pai dele já expulsou no tapa os extremistas do Vox que chamam os filhos de imigrantes de lixo mas em ano eleitoral batem às suas portas da periferia em busca de voto.

Há cerca de um mês, o craque de 19 anos celebrou a conquista do título espanhol, pelo Barcelona, erguendo uma bandeira da Palestina numa carreata. Poderia estar falando dele e dos feitos de jovem promessa, uma joia do futebol mundial, mas lembrou de um povo destruído e esquecido quando era o centro das atenções. Como agradecimento, ganhou um mural na Cidade de Gaza em uma parede que resistiu aos destroços.

Dá para entender a má vontade do novo campeão do mundo em apertar a mão de Donald Trump, o tirano que endossou o extermínio palestino e depois tentou roubar a cena na festa de premiação na final em Nova Jersey. Estivesse nas arquibancadas, seria um dos primeiros a vaiar o anfitrião.

Nada disso seria assunto hoje se Ferran Torres tivesse isolado a bola e Simeone, num lance similar, tivesse botado para dentro. Como Sísifo, Rodri teria visto o troféu de melhor jogador do torneio desabar do monte e parar nas mãos de Messi.

Aí a explicação do sucesso era outra. Não adianta controle sem alma. A frieza espanhola teria sido demolida pela raça argentina, uma solução portenha da paixão sul-americana, sem tantos recursos, mas que resiste e tira energia de onde menos se espera, na hora decisiva. Basta um gênio e súditos obedientes dispostos a comer a grama e colocar o coração na chuteira, como fizeram em todos os jogos até a final.

A Espanha, então, seria só uma coletânea de fracassos em Copas desde que mostrou o tiki-taka para o mundo na África do Sul. A Argentina estaria a um título de igualar as cinco estrelas brasileiras. Em vez de lágrimas, Messi sairia de campo coroado como rei no mesmo palco onde Pelé gritou “love, love, love” e saiu de cena, em 1977.

De onde estiver, o Atleta do Século 20 foi dormir tranquilo sabendo que ainda reina, e ninguém tem ainda três Copas, como ele. Mbappe, o maior artilheiro dos Mundiais, já se coça.

Messi foi superado por espanhois e um francês na curva final da carreira, e a história que se conta agora é que, dessa vez, não bastou coração para um time que chutou canelas a partida toda, mas não conseguiu acertar o gol em momento algum.

Um lance e toda história da partida e da Copa seria outra. Essa é a maior lição que o futebol ensina.

Madri hoje é a capital da bola. Até o próximo lance fatal.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do iG
 
 
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