População vulnerável em situação de rua durante período de frio intenso
O Brasil contabiliza 388.855 pessoas vivendo em situação de rua, segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os dados foram obtidos a partir do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), do governo federal.
São Paulo lidera o ranking nacional, com 159.290 pessoas em situação de rua. Na sequência aparecem Rio de Janeiro, com 35.406 registros, e Minas Gerais, com 34.849.
Sudeste concentra maioria dos casos
De acordo com o estudo, seis em cada dez pessoas em situação de rua vivem na região Sudeste. Três dos quatro estados da região ocupam as primeiras posições do ranking nacional e registraram forte crescimento entre 2020 e 2025.
Em São Paulo, o número de pessoas sem moradia passou de 83.074 para 150.958 no período. No Rio de Janeiro, os registros aumentaram de 23.433 para 33.656. Já em Minas Gerais, o total saltou de 14.304 para 33.139. Juntos, os três estados registraram crescimento de até 131% em cinco anos.
O levantamento mostra ainda que a população em situação de rua está concentrada nas capitais. No Rio de Janeiro, a capital reúne 69,6% dos casos do estado. Em São Paulo, o percentual é de 67,2%, enquanto em Minas Gerais chega a 46,6%.
Segundo os pesquisadores, o crescimento observado em São Paulo chama atenção pela magnitude. O estado concentra cerca de 40% de toda a população em situação de rua registrada no país.
Situação nos demais estados
O estudo também destaca o avanço dos registros em Roraima. Entre 2022 e 2025, o número de pessoas em situação de rua passou de 2.537 para 10.520, contribuindo para a alta observada na região Norte.
No Ceará, Fortaleza concentra a maior parte dos registros estaduais: são 11.349 pessoas em situação de rua de um total de 14.171 contabilizadas no estado.
Os pesquisadores classificam Santa Catarina, Roraima, Pernambuco, Goiás, Espírito Santo, Pará, Mato Grosso, Amazonas e o Distrito Federal em um nível intermediário de gravidade. Já Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia e Piauí apresentam os indicadores menos elevados.
População negra é maioria
O levantamento aponta que sete em cada dez pessoas em situação de rua são negras. Para o Observatório, o dado evidencia a influência de desigualdades históricas e do racismo estrutural na composição desse grupo populacional.
Diante desse cenário, os pesquisadores defendem o fortalecimento de políticas públicas de inclusão e a ampliação da coleta de dados sobre essa população, tanto pelo IBGE quanto por estados e municípios.
“O CadÚnico, que não possui qualquer pretensão censitária, nos possibilita uma visualização e compreensão acerca desse complexo fenômeno social, além de ser um instrumento fundamental para o acesso a benefícios sociais, como o Bolsa Família, o BPC e outros”, afirma o estudo.
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