Por que o conflito no Oriente Médio afetou passageiros do mundo inteiro?
Talvez, olhando o mapa, você pense que se trata de um conflito regional. Mas geograficamente, o Oriente Médio ocupa uma posição absolutamente estratégica no planeta. Ele está literalmente no meio do caminho entre Europa, Ásia, África e Oceania. E é exatamente essa posição que explica por que o impacto ultrapassou fronteiras e atingiu passageiros do mundo inteiro.
Dubai, Doha e Abu Dhabi não são apenas cidades importantes. Elas funcionam como grandes centros de distribuição da aviação internacional. Dubai é o hub da Emirates, Doha é o centro das operações da Qatar Airways e Abu Dhabi é a base da Etihad. Ser um hub significa ser um ponto onde milhões de passageiros chegam de diversos continentes para, dali, seguirem para outros destinos.
Antes da crise, o aeroporto de Dubai movimentava mais de 86 milhões de passageiros por ano. Doha ultrapassava 45 milhões. Abu Dhabi operava algo entre 23 e 25 milhões anuais. Somadas, as três companhias transportam mais de 150 milhões de pessoas por ano. Não estamos falando de aeroportos regionais. Estamos falando de engrenagens centrais da malha aérea global.
E o ponto mais importante: boa parte dessas pessoas não estava indo para o Oriente Médio como destino final. Estava apenas passando por lá.
Quem viaja do Brasil para o Japão, por exemplo, muitas vezes utiliza conexão em Doha ou Dubai. Eu mesmo recebi diversas mensagens de passageiros que estavam indo para o Japão e tiveram seus voos afetados. O mesmo acontece com quem vai para Tailândia, Maldivas, Índia, Indonésia, Singapura, Filipinas, Coreia do Sul, Vietnã, África do Sul, Egito, Tanzânia, Seychelles e até Austrália.
O Oriente Médio virou, nas últimas décadas, o ponto ideal de conexão entre Ocidente e Oriente. Ele reduz tempo de voo, otimiza rotas e concentra operações de longa distância. Por isso é tão utilizado por passageiros da América do Sul que seguem para a Ásia.
Entre os três hubs, apenas Dubai se consolidou como destino turístico massivo. Doha e Abu Dhabi recebem visitantes, claro, mas funcionam majoritariamente como pontos estratégicos de conexão. Muitas vezes o passageiro faz um stopover, aquela parada de um ou dois dias, mas o objetivo principal está em outro país.
Quando um desses hubs sofre restrição operacional, o impacto não fica concentrado ali. Ele reverbera na Europa, na Ásia, na África e até na Oceania. Conexões deixam de acontecer, aeronaves precisam ser redirecionadas, tripulações são reposicionadas e milhares de passageiros que nunca tinham o Oriente Médio como destino acabam afetados por uma engrenagem que simplesmente deixou de funcionar como deveria.
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