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O turismo com elefantes pode acabar? Entenda o que está mudando
Publicado em 24/02/2026 10:10
Notícias
Reprodução IA
Turismo com elefantes pode acabar?

Durante muito tempo, montar em elefantes, participar de banhos coletivos ou assistir a apresentações com os animais foi vendido como uma experiência “imperdível” em destinos da Ásia. Hoje, esse tipo de atração começa a ser visto sob outra perspectiva. Um estudo recente da Proteção Animal Mundial aponta que 69% dos elefantes explorados pelo turismo na Tailândia vivem em condições consideradas ruins ou inaceitáveis. O dado reforça um debate que vem ganhando força entre viajantes mais conscientes: até que ponto o entretenimento justifica o impacto sobre a vida animal?

Embora práticas de contato direto estejam gradualmente em declínio, os números revelam uma contradição importante. Segundo a própria organização, o total de elefantes mantidos em cativeiro para fins turísticos cresceu mais de 70% desde 2010. Em muitos casos, a exploração não desapareceu, apenas mudou de formato. O que antes era claramente identificado como atividade invasiva passou a ser apresentado sob novas roupagens, nem sempre alinhadas ao bem-estar dos animais.

Em resposta a esse cenário, surgiram iniciativas que propõem uma relação diferente entre turistas e elefantes. Na Ásia, ganharam visibilidade os chamados santuários éticos e centros de reabilitação, que priorizam observação, resgate e educação ambiental. Ainda assim, especialistas alertam: nem todo local que se apresenta como “santuário” opera de forma verdadeiramente responsável. A pesquisa prévia deixou de ser detalhe e passou a ser parte essencial da decisão do viajante.

Na África, o turismo com elefantes tradicionalmente segue outro caminho. Países como Botsuana, Quênia, Tanzânia, Zimbábue e Namíbia concentram suas experiências em safáris de observação em habitat natural. Nesse modelo, o encontro com os animais ocorre sem contato físico e com mínima interferência humana. É justamente essa abordagem que vem sendo cada vez mais apontada como referência por conciliar conservação, geração de renda local e respeito à fauna.

Para Roberto Medeiros, CEO da EPI-USE Brasil (uma consultoria global de tecnologia), essa transformação reflete uma mudança mais ampla no comportamento dos turistas. “Esse tipo de prática baseada na exploração animal hoje em dia não encontra mais a mesma aceitação. As pessoas estão mais informadas, mais críticas e passam a questionar o impacto real das experiências que consomem. O turismo precisa acompanhar essa evolução”, afirma.

Esse movimento também se traduz em iniciativas concretas de proteção. A EPI-USE integra o groupelephant.com, que, por meio do programa Elephants, Rhinos & People, desenvolve projetos contínuos voltados à conservação de elefantes em áreas de risco na África do Sul. A iniciativa utiliza tecnologia para monitoramento de regiões vulneráveis, apoio à preservação da fauna e combate à caça furtiva, um exemplo claro de como inovação e conservação podem caminhar juntas.

Mais do que uma tendência passageira, o debate sobre o turismo com elefantes simboliza uma mudança de mentalidade. O encantamento com a vida selvagem não desapareceu, mas começa a dar lugar a uma relação mais consciente, em que respeito, limites e responsabilidade se tornam parte fundamental da experiência de viagem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG
 
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